Sabor Brasileiro
Com tantas opções e receitas, a culinária brasileira é um orgulho para seu povo. Dá gosto, e como é gostoso ser brasileiro

Por Flávia Landim – Fotos: André Zimmerer

E por falar em boa comida brasileira, com sabor 100% nacional, os restaurantes não economizam em criatividade e bom gosto.
O Chiquita Bacana, Choperia e Restaurante, por exemplo, é um ambiente temático inspirado na Tropicália, ou seja, completamente brasileiro e que faz questão de ostentar as características desse país tão rico de matéria-prima e sabores e, além de tudo, riquíssimo culturalmente. Em homenagem aos artistas brasileiros que expuseram seus trabalhos na França, como Glauber Rocha, que trouxe o cinema novo para o Brasil, e os Mutantes, é que nasceu o Chiquita Bacana. O responsável pela construção do bar foi o arquiteto paisagista, urbanista e designer Luiz Henrique Muniz, conhecido como Lói. Para conseguir essa ambientação temática, Lói utilizou material de demolição, luminárias em formas de margarida, fruteiras e várias outras peças que transportam os visitantes à época da Tropicália. “Além da arquitetura e da decoração, Lói quis criar, também, um nome que melhor se adequasse ao ambiente”, explica o sócio-proprietátio Luis Otavio Calvino.
O Chiquita Bacana, que fica na 209 Sul, entrou o 2º semestre de 2007 com uma grande novidade no cardápio. “A partir de agora, a casa abre também para almoço, todas as sextas-feiras, sábados e domingos, com pratos variados e bem servidos como as saladas, os risotos, os grelhados (filé de frango, filé mignon, medalhão de filé mignon, contra filé, picanha e o rib's barbecue) e, também, as sobremesas”, descreve orgulhoso o sócio-proprietário Fabricio Carone, que faz questão de que o Chiquita Bacana não perca sua identidade brasileira. E uma receita que faz sucesso no paladar do brasileiro é o famoso rib’s barbecue, que no Chiquita Bacana acompanha minis­salada, com alface americana roxa e crespa, tomate, cenoura e beterraba ralada. Dentre os acompanhamentos, o cliente pode escolher arroz branco, arroz com brócolis, arroz piemontesa, farofa de ovos, purê de batatas, batata frita, batata e bacon gratinados ou mix de legumes sauté. Além dos molhos que podem ser: madeira, ervas finas, barbecue, funghi, parisiense e tomate com manjericão. Ainda, aos sábados, tem a deliciosa feijoada a R$ 12,90 por pessoa, e grátis uma caipirinha. Já nas quartas-feiras é a vez do Clube da Cachaça, com desconto de 30% nas cachaças dos mais variados tipos e sabores. “E para completar, o Chiquita Bacana lançou a Caipi Banana, além da Caipi Chocolate com Morango. Uma idéia que tivemos para caracterizar mais o ambiente, com frutas que fazem sucesso no Brasil”, afirma o sócio-proprietário Ronaldo Júnior. Para o lanche, ainda há açaí e os diversificados sanduíches: de estrogonofe, de filé, de frango, suíno, italiano, de peru e verão tropical. De dar água na boca!
Minas Gerais chegou a Brasília. É o Capital de Minas, o verdadeiro restaurante de comida mineira de Brasília, que foi inspirado no melhor restaurante de Belo Horizonte, o Xapuri. Ao trazer essa idéia para a capital, os proprietários tinham o desafio de toda a culinária ser oriunda da terra natal, que a comida possuísse o sabor das Minas Gerais, além de transformar o ambiente em um local que transportasse os visitantes ao aconchego de Minas. Daí criou-se um lugar com elementos marcantes como a madeira, o ferro, as velas, os castiçais e os utensílios da cozinha, todos trazidos de Belo Horizonte. O artesanato é todo no estilo do interior, como das fazendas, das ferrovias e dos casarões. É um cenário rústico com a direção de vanguarda dos seus proprietários, Leandro Tavares e o chef Anderson Ferreira, um gourmet com vasta experiência na culinária mineira. No Capital de Minas, que fica na 210 sul, tudo é preparado na hora, os petiscos, o bufê e os pratos à la carte. “Os sabores são realmente feitos com ingredientes e receitas de Minas Gerais. Se você não vai a Minas Gerais, ela vem até você por meio do restaurante mineiro Capital de Minas”, explica a proposta do local o chef e proprietário Anderson Ferreira. “O enorme fogão de lenha que fica ao centro do restaurante, além dos objetos de decoração fazem, com que o cliente se sinta numa casa mineira, ou até mesmo num almoço na roça”, explica Leandro Tavares.

No restaurante Capital de Minas, existem várias porções especiais que são a cara do Brasil: trancinha na chapa com pão de alho, torresmo à pururuca do tio Pedrin, bolinho de mandioca com mussarela, queijo pachá do Fí, polpeta da Mimi, pão de queijo do Juan e lingüiça com cebola do Quentão. Dentre os pratos, tem frango do Zé Gu, que pode ser pedido para quatro ou para duas pessoas, assim: “pra nóis quatro ou pra mim e procê”, e é acompanha do de arroz, feijão, angu, quiabo, chuchu e couve. Da mesma forma, há: frango à cabidela; frango com pirão do Mandão; frango ao mel do Xú; galeto da Tia Tanrrana; filet de peito sarado; picanha nacional, que é acompanhada de arroz, feijão, farofa de ovos e batatas coradas; lombo assado na panela da Rosa; carne de panela da Taquinha; costelinha da Berereu; costelinha com canjiquinha e moranga com frango e requeijão. O restaurante mineiro produz suas próprias sobremesas, que são: compotas de frutas, doce de leite cremoso, doce de leite com pedaços, pé de moleque, pudim de leite condensado e manjar. Além de oferecer, também, pratos sob encomenda: leitão assado decorado para seis pessoas, que é acompanhado de arroz, feijão tropeiro e couve; moranga recheada com camarão e pernil assado decorado, com arroz, tutu de feijão e maionese.
Uma comida que faz muito sucesso no Brasil é a carne de sol. Suas mais antigas referências são do século XVII. No Brasil Vexado toda carne de sol é preparada na loja a partir de um corte bovino de primeira. O processo consiste na salga da carne, que fica na salmoura por 24 horas e é pendurada, posteriormente, para secar por um período de mais 12 horas e, finalmente, conservada na refrigeração para aumentar sua maciez. E, como Brasília é uma cidade que reúne várias manifestações culturais brasileiras, no Brasil Vexado, cujo carro-chefe é a carne de sol, para acompanhar, há muito feijão de corda, paçoca, macaxeira, queijo coalho, baião de dois, feijão tropeiro e arroz carreteiro.
Os amantes de uma boa carne não ficaram de fora dessa mistura de sabores. No Porcão, eles podem encontrar o rodízio de carnes com um buffet de frios e quentes fantástico.
Não importa de onde venham. Quando chegam ao Brasil, pratos conhecidos internacionalmente ganham um toque bem tropical. Ingredientes são acrescidos, outros substituídos. O sabor pode ou não ser modificado, mas, no mínimo, ganha um toque muitas vezes exótico, mas sem deixar a qualidade de lado. A palavra certa para tanta mistura é ousadia. Tentar modificar o que já conquistou apreciadores requer certa habilidade e experiência, conhecendo-se bem os ingredientes a serem trabalhados. Na arte da gastronomia, o que mais importa é o resultado final.
As diversidades étnica e cultural brasileiras são as grandes responsáveis por essas variações na gastronomia. A comida italiana foi uma das que recebeu ingredientes nacionais. Na Cantina Italiana Unanimitá, a dica é o frango com creme de milho e arroz de cenoura ralada ou, ainda, o lombo acebolado e o arroz com alho crocrante. Inspiração goiana, a galinha caipira ao molho pardo, com quiabo frito, pirão de condimentos, arroz branco com baru e salada, é servida aos sábados, como parte do “almoço tradição”. E as variações não ficaram apenas nos pratos salgados. As sobremesas também entraram no clima. No Unanimitá, os clientes têm a opção de degustar um delicioso sorvete de tapioca com calda de goiaba. O chef Dudu Camargo, responsável por essa e outras “multinacionalizações” gastronômicas, ex­plica que o Brasil é um país rico em culturas, diversidade de vegetais, carnes, condimentos, enfim, de ingredientes. “É preciso aproveitar tantos recursos a nosso favor. Aqui temos frutos, por exemplo, que não se encontram em nenhum outro lugar”, ressalta o chef.
No restaurante Your’s, é possível encontrar o petisco Irmãozinhos, que são pastéis de carne seca, quibebe e cebola, e, também, o prato Apagão, filé de robalo grelhado, legumes e manteiga de ervas. Lá, a inspiração veio do sertão nordestino. Em uma homenagem à Rainha do Cangaço, o chef Dudu Camargo criou o prato Maria Bonita, com carne seca, quibebe de abóbora, farofa e arroz. Segundo o chef, “os ingredientes na­cionais têm uma ótima aceitação, além de serem uma forma de valorizar o que se tem no país”, conclui Dudu Camargo.
Para finalizar as delícias brasileiras, não dá para deixar de lado os pastéis Viçosa. Os sabores são muitos. Há pastéis de carne, queijo, palmito, calabresa, frango e catupiry, carne seca, milho, tomate seco, banana com canela, doce de leite, maçã, além da opção de o cliente montar o seu sabor. Outra mania que pegou e arrasa na Viçosa é o rodízio de pastéis. Para o ambiente ficar mais brasileiro, agora, nos finais de semana, a Viçosa disponibiliza música ao vivo e roda de samba no espaço da 704/705 norte.
O Livro Sabores Brasi­lei­ros, publicado pelo Ministério do Turismo e pela Abrasel em 2005 é uma viagem gastronômica pelo Brasil, levando ao leitor o conhecimento sobre as mais diversas iguarias produzidas em todos os Estados e no Distrito Federal. Quem tiver interesse em ir mais fundo nessa delícia que é a gastronomia do país, delicie-se, pois Sabores Brasileiros foi um dos resultados do Salão do Turismo – Roteiros do Brasil, que o Ministério do Turismo realizou. A Mostra Gastro­nômica do salão, que possibilitou ao público visitante degustar os variados sabores da culinária brasileira, teve suas receitas publicadas nesse livro.

Onde comer:
Chiquita Bacana – tel.: (61) 3242-1212/ Capital de Minas – tel.: (61) 3244-9976/ Unanimitá – tel.: (61) 3244-0666/ Your's – tel.: (61) 3248-0184/ Porcão – tel.: (61) 3223-2002/ Brasil Vexado – tel.: (61) 3323-1222/ Viçosa – tel.: (61) 3340-6668/ Xique-Xique – tel.: (61) 3274-2810/ Feijão Verde – tel.: (61) 3224-6362.

 

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