Por Gisela Cabral – Fotos: André Zimmerer
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O gengibre é uma das especiarias mais famosas do mundo. Segundo estudiosos, essa poderosa planta da família das Zingiberáceas, originária da Ásia, mais precisamente da Índia e da China, existe há cerca de três mil anos. No Brasil, acredita-se que ela tenha chegado menos de um século depois do descobrimento. Os indígenas chamavam-na de mangaratiá ou magarataia.
Suas propriedades são inúmeras. Na medicina, constitui de fato um importante antioxidante, antiinflamatório e antigripal. Dizem até que o condimento tem poder afrodisíaco. O chá de gengibre, por exemplo, é popularmente utilizado no combate a gripes, resfriados, tosses e, inclusive, náuseas e ressacas. Balas, chicletes e até a versão “cristalizada” são muito usados no inverno, período em costumam aparecer as terríveis dores de garganta, rouquidões e afins. Banhos e compressas quentes também são indicados para aliviar os sintomas de gota, artrite, dores de cabeça e na coluna, além de diminuir a congestão nasal e cólicas menstruais.
Já na culinária confere um sabor mais forte e levemente adocicado a receitas orientais e ocidentais. Pode ser usado como tempero, no preparo de bebidas, como o quentão (veja receita), muito comum nas festas de São João, entre outras delícias.
Pode ser encontrado em variadas versões: seco, fresco, picado, em conserva, em pó ou inteiro. Seu sabor inconfundível provoca uma leve ardência na boca, característica que faz com que algumas pessoas optem por não consumi-lo. Outras gostam justamente dessa sensação de frescor que parece “limpar” o paladar.
Na gastronomia oriental, o gengibre é tradição e ingrediente indispensável. Salti Sun, proprietário do restaurante Grande Muralha, ressalta que a planta tem diferentes finalidades. "Ela ajuda a remover os odores indesejáveis de frutos do mar e de carnes com cheiro forte, como a de porco", comenta. No ocidente, utiliza-se o limão para esse mesmo propósito. Outra característica do gengibre é o seu poder conservante. "Quando não existia geladeira, por exemplo, ele impedia que os alimentos estragassem", explica.
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Uma das receitas do restaurante que leva a especiaria é o camarão salteado com gengibre, pimentão e cebola, ao molho de soja e ketchup. O prato (veja receita) vem acompanhado pelo tradicional arroz colorido ou pelo arroz branco e, recentemente, participou do Festival do Camarão criado pelo Clube Gourmet dos 6, apelidado de G6, composto por seis restaurantes da cidade, de especialidades diferentes. “A aceitação do prato foi excelente. Até hoje muitos clientes voltam pedindo-o”, conta.
Salti lembra que na culinária japonesa o gengibre tem papel fundamental. Sua função é limpar as papilas para o próximo sabor. "Entre um tipo de peixe e outro ingere-se o gengibre para cortar o sabor do anterior. Se a pessoa está comendo salmão e depois quer atum, é indicado que antes coma o gengibre para que possa saborear o gosto real do atum", explica Salti. |