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Que fazer agora?
No começo foi o poeta Pablo Neruda, chileno, Nobel de Literatura, que do alto da sua casa, chamada Sebastiana, em Valparaiso, inundava o mundo com o melhor da poesia e fazia perguntas que outro poeta, Diógenes da Cunha Lima, potiguar, dos melhores da terra de Nísia Floresta, respondeu em livro da sua lavra. Depois, o senador Cristovam Buarque perguntou e Diógenes, novamente, respondeu as 248 perguntas que estão contidas no livro O Colecionador de Perguntas e o Poeta. Fiz esse nariz de cera para dizer que a pergunta que vem martelando minha cachola desde o fim do ano passado que já foi tarde, feita por milhares de brasileiros, atônitos diante das imagens da televisão mostrando o escândalo do panetone, das meias recheadas de dinheiro e a bolsa enorme da deputada engolindo maços de notas de Real, e, mais recentemente, a tragédia de Angra dos Reis, com as encostas dos morros desmoronando e dizimando vidas, sonhos e esperanças de gente honesta. Eis a pergunta que não quer calar: – QUE FAZER AGORA? Não querendo parodiar nem Neruda, nem Diógenes, nem Cristovam, vou também fazer minhas perguntas e dar uma única resposta para todas elas no final do arrazoado. Vamos lá. – Por que os administradores públicos permitem a construção em encostas, onde o risco de deslizamento é muito grande? – Por que não há fiscalização dos órgãos públicos para interditar ou demolir essas obras quando começam a ser construídas? – Por que as autoridades só visitam esses locais quando ocorre uma tragédia? – Por que liberam milhões de reais para construção de novas moradias, depois que se conta as dezenas de mortos, e esse dinheiro não é usado para prevenir os desastres das encostas, com as pessoas vivas? – Por que essas mesmas autoridades demoram às vezes dias para chegar ao local da tragédia e nunca comparecem ao velório para pegar na alça do caixão? – Por que candidato “ficha-suja” sempre ganha eleição? – Se o presidente da Câmara Legislativa guarda dinheiro na meia porque tem medo de ser assaltado, ele que tem segurança de chefe de Estado, o que será de nós, simples mortais, que só temos a proteção de São Francisco de Assis? – A deputada usa bolsa grande porque é uma tendência da moda ou é para as compras no supermercado? – Apesar de tão antigo, o ditado “ladrão que rouba de ladrão tem cem anos de perdão” ainda está em vigor? – A oração da propina paga dízimo? – A propósito, essa oração será distribuída como santinho na campanha eleitoral quem vem aí? – Panetone dá indigestão? – Você lembra em quem votou quatro anos atrás? – Vai votar nos mesmos? – Por onde anda o delegado-ex-secretário-cineasta? – As filmagens da dinheirama vão participar do próximo Festival do Cinema de Brasília? – Brasília e Angra dos Reis, duas obras-primas, do homem e da natureza, mereciam isso? RESPOSTA: A eleição vem aí, você pode responder todas as perguntas escolhendo o candidato que não se enquadra em nenhuma das perguntas. Tem muita gente honesta disputando eleição. Não venda seu voto. Ele é comprado com dinheiro sujo. DA SIMPÁTICA CANTORA SANDY: “Eu gastaria no máximo 2000 reais numa bolsa. Mais que isso, eu acho que é dinheiro mal gasto”.
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