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Revista Março 2010
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Aristóteles Drummond
O herói Boilesen

Ofilme Cidadão Boilesen,
embora dê acolhida a absurdas
acusações contra o
empresário que adotou o Brasil com maior fervor do que muitos
brasileiros, serve para mostrar um momento histórico que não
parece esclarecido. Mas, sim, muito deturpado pela máquina de
mentir que é marca das esquerdas.
As acusações absurdas são as de que um homem da cultura,
educação, presença social e moral ilibada, empresário de responsabilidade,
pudesse assistir a torturas, prática imoral e condenável
que mancha a humanidade desde sempre e não tem ideologia,
nem raça nem nacionalidade. Desde que o mundo é mundo, na
guerra como na paz, a autoridade policial, na angústia de obter
informações, exorbita. Boilesen queria apenas ajudar o Brasil a
afastar o perigo de descambar para um regime de esquerda radical,
ou mesmo ter o terrorismo como uma rotina ou ver parte de
seu território ocupado por um grupo a imagem e semelhança das
FARC, da Colômbia.
Chocante a informação de membros do movimento revolucionário
que assassinou de maneira covarde e bárbara o empresário
de que dois outros ilustres empreendedores estavam na
lista: Otávio Frias, presidente da Folha de S. Paulo, e Sebastião
Camargo, da Camargo e Correa.
Ora, na ocasião, o DOPS paulista era comandado não apenas
pelo controverso delegado Fleury, mas também pelo hoje senador
Romeu Tuma, um nome respeitado no Senado, onde exerce
o segundo mandato. E o governador de São Paulo era o ilustre
Roberto de Abreu Sodré.
Está chegando ao limite a paciência da sociedade que
viveu ou conhece os anos de chumbo, marcado por sequestros,
assassinatos, “justiçamentos”, assaltos a bancos com
vítimas, atentados, com a tentativa de se mostrar os agentes
da lei e da ordem como monstros. Circula, felizmente já com
boa tiragem efetivada, o excelente A Verdade Sufocada –
que não é encontrado em livrarias; pode-se apenas comprá-lo
pelo Correio –, em que o Coronel Brilhante Ulstra dá seu
depoimento emocionado. Ele que foi vítima de tortura moral
indigna, fartamente divulgada pela mídia.
Mas o que fica de positivo nessa onda de revanchismo delirante
– querem chegar a alterar nomes de logradouros e grandes
obras do período revolucionário, numa afronta à vontade
popular, que reconhece seus autores brasileiros notáveis – é
que não escondem a verdade. Mataram e teriam matado mais
em nome dos ideais de Stalin e Mao Tse Tung. E o que é pior:
chegaram atrasados a esse tipo de “revolução”, pois em 20 anos
o mundo mudou. Sobre essas verdades e equívocos não querem
falar. O melhor seria ficar calados e gratos à generosa anistia
concedida pelo presidente João Figueiredo.
O presidente Lula, percebe-se bem, gostaria de virar a página.
Ele sabe como foram as coisas. Representa um Brasil novo,
mas é pressionado. Assim, esta união a destempo de esquerdistas
ainda quer nos levar a uma sucessão entre dois nomes comprometidos
com este ranço do ressentimento, da frustração de
que, por mais que se esforcem, não chegam perto do acervo de
realizações dos 20 anos de autoritarismo progressista, seja no
plano federal ou nos estaduais.
Nesse capítulo de violência para cá, violência para lá, o
mais sensato é que ambos os lados foram levados a exageros
– sendo que a iniciativa naturalmente foi dos desajustados,
normalmente filhos da classe média, é bom observar. O primeiro
sangue derramado foi no Recife, visando o Marechal
Costa e Silva, candidato a presidente da República. Da
bomba assassina, morreram um almirante e um jornalista.
Mas destes... Nem uma palavra de solidariedade e muito
menos verbas públicas.
Para se avaliar a dimensão de homem de visão e preocupação
social, é bom lembrar que foi Henning Boilesen quem teve
a ideia e fundou o CIEE, que tem ajudado a centenas de milhares
de jovens a se encaminhar na vida.
Não se pode acreditar, portanto, em atos de sadismo, divulgados
por mero ódio de gente ressentida com a vida. A estes,
nem os cargos e os ganhos financeiros obtidos servem para
aplacar complexos de fundo estético e social cultivados ao
longo da vida.
 
     
Aristóteles Drummond
As oportunidades Brasil-Portugal - Set/2009
 
     
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