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Revista Março 2010
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José Alberto Couto Maciel
Feliz Ano Novo?

É meia noite e, nas casas próximas
das praias de Angra,
famílias se reúnem e comemoram
com champanhe, algumas
com cidra, a entrada de um feliz ano novo.
Em pouco tempo a comemoração vira tragédia e muitos dos
que levantavam as taças, repentinamente passam a não mais
existir em decorrência do trágico deslize de terras nas encostas.
A tristeza toma conta do que era felicidade, e o ano novo
não recebe muitos dos que a ele festejavam, e deixa arrasados
outros tantos que nele depositaram toda sua confiança. Iemanjá
e todos os Santos não mais são chamados para dar alegria a um
povo, mas para amparar a alma daqueles que se foram.
No Haiti inicia-se o ano novo, todos com expectativas
de um país em recuperação, graças também aos nossos
soldados, os quais não podem ser aproveitados para apaziguar
nossas favelas no Rio de Janeiro, mas devem ser
heróis enfrentando as favelas daquele país, em um paradoxo
inexplicável.
E todos estão lá, desejando feliz ano novo quando, repentinamente,
o chão estremece, os prédios caem, mais de 200
mil pessoas morrem, e 18 soldados nossos, que na verdade
nada tinham a ver com o Haiti, caem mortos em um combate
que não era deles, e que, na realidade, não era de ninguém,
pois decorrente de uma tragédia da natureza, na qual
sucumbiram longe de seu país.
Os coitados dos haitianos mortos, como vemos nos noticiários,
são saqueados pelos coitados dos haitianos vivos,
que nada mais têm, nem para comer, nem mesmo para
beber, transformando-se em vivos-mortos, com pouca vida e
com quase nenhuma expectativa.
Além dos 900 soldados que o Brasil lá mantém, e continuando
o risco de novos terremotos, o Ministério da Defesa
do Brasil resolve enviar para aquele país outros 900 soldados
brasileiros.
Sabendo-se que os militares não são integrantes da Cruz
Vermelha, nem de entidades voluntárias em favor dos desfavorecidos,
e que não podem, inclusive constitucionalmente,
defender os brasileiros dos bandidos que com fuzis e metralhadoras
espalham o crime e se escondem nas favelas de
nosso país, fico eu leigo a perguntar: por que enviar mais soldados
para defender o Haiti dos favelados? É possível entrar
isso na cabeça de alguém?
E se inicia o ano novo em Brasília quando o ilustre governador,
que vinha fazendo um belo governo, juntamente com
uma leva de políticos conhecidos na capital federal, aparece
em filmes recebendo dinheiro nosso, com risos e cinismo
como se o dinheiro fosse dele e de seus companheiros, e nós
aqui, ingressando neste ano novo, com a sensação clara e
insofismável de que, de alguma forma, aquele mensalão
decorre de nosso trabalho.
Mas você liga a televisão e o noticiário afirma que o
Tribunal de Justiça resolveu que os deputados distritais,
beneficiados pelo mensalão, parece-me que mais de oito, os
quais “acidentalmente” aparecem nas filmagens recebendo
seus honorários extras, colocados em bolsos, bolsas, meias
e cuecas, não poderão integrar a comissão que decidirá
sobre o julgamento do governador e seus atos ilegais.
Pois bem, a própria notícia demonstra os substitutos
daqueles notoriamente suspeitos, e, surpreendam-se, quase
todos também, de alguma forma, suspeitos são.
Então o leigo questiona: se o titular não pode julgar e se
o substituto também não pode, quem decidirá a favor ou
contra o governador? E assim entramos no ano novo.
Vemos então que a cidade de São Paulo está intransitável
e que, atualmente, basta que se inicie uma chuva
para que o trânsito pare e ninguém mais consiga chegar a
seu destino.
Os paulistas já estão traumatizados, e o rio Tietê, de
tanto jogarem sujeira nele, resolveu se vingar, alagando a
cidade. Daí lembramos de nosso próximo eventual presidente,
o qual governa a cidade de São Paulo, e começamos
a imaginar: será que terá ele sorte de não chover nos
anos em que for presidente, a fim de que o Brasil não
fique paralisado?
E lá em São Paulo, como também no Paraná, em regiões
diversas de Santa Catarina e no interior do Rio Grande do
Sul, em todas essas cidades os desmoronamentos aparecem
diariamente, trazendo consigo suas vítimas indevidamente
enterradas.
E dessa forma estamos entrando no ano de 2010...
Boas entradas? Feliz ano novo? Ainda há tempo. Vamos
pensar que o acontecido foi apenas uma preliminar de um
temporal de tragédias que se limpou nos primeiros dias do
ano, a fim de que este, daqui para a frente, brilhe para todos
como um dos anos mais felizes.
 
     
José Alberto Couto Maciel
A profissão de advogado - Set/2009
 
     
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