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Feliz Ano Novo?
É meia noite e, nas casas próximas das praias de Angra, famílias se reúnem e comemoram com champanhe, algumas com cidra, a entrada de um feliz ano novo. Em pouco tempo a comemoração vira tragédia e muitos dos que levantavam as taças, repentinamente passam a não mais existir em decorrência do trágico deslize de terras nas encostas. A tristeza toma conta do que era felicidade, e o ano novo não recebe muitos dos que a ele festejavam, e deixa arrasados outros tantos que nele depositaram toda sua confiança. Iemanjá e todos os Santos não mais são chamados para dar alegria a um povo, mas para amparar a alma daqueles que se foram. No Haiti inicia-se o ano novo, todos com expectativas de um país em recuperação, graças também aos nossos soldados, os quais não podem ser aproveitados para apaziguar nossas favelas no Rio de Janeiro, mas devem ser heróis enfrentando as favelas daquele país, em um paradoxo inexplicável. E todos estão lá, desejando feliz ano novo quando, repentinamente, o chão estremece, os prédios caem, mais de 200 mil pessoas morrem, e 18 soldados nossos, que na verdade nada tinham a ver com o Haiti, caem mortos em um combate que não era deles, e que, na realidade, não era de ninguém, pois decorrente de uma tragédia da natureza, na qual sucumbiram longe de seu país. Os coitados dos haitianos mortos, como vemos nos noticiários, são saqueados pelos coitados dos haitianos vivos, que nada mais têm, nem para comer, nem mesmo para beber, transformando-se em vivos-mortos, com pouca vida e com quase nenhuma expectativa. Além dos 900 soldados que o Brasil lá mantém, e continuando o risco de novos terremotos, o Ministério da Defesa do Brasil resolve enviar para aquele país outros 900 soldados brasileiros. Sabendo-se que os militares não são integrantes da Cruz Vermelha, nem de entidades voluntárias em favor dos desfavorecidos, e que não podem, inclusive constitucionalmente, defender os brasileiros dos bandidos que com fuzis e metralhadoras espalham o crime e se escondem nas favelas de nosso país, fico eu leigo a perguntar: por que enviar mais soldados para defender o Haiti dos favelados? É possível entrar isso na cabeça de alguém? E se inicia o ano novo em Brasília quando o ilustre governador, que vinha fazendo um belo governo, juntamente com uma leva de políticos conhecidos na capital federal, aparece em filmes recebendo dinheiro nosso, com risos e cinismo como se o dinheiro fosse dele e de seus companheiros, e nós aqui, ingressando neste ano novo, com a sensação clara e insofismável de que, de alguma forma, aquele mensalão decorre de nosso trabalho. Mas você liga a televisão e o noticiário afirma que o Tribunal de Justiça resolveu que os deputados distritais, beneficiados pelo mensalão, parece-me que mais de oito, os quais “acidentalmente” aparecem nas filmagens recebendo seus honorários extras, colocados em bolsos, bolsas, meias e cuecas, não poderão integrar a comissão que decidirá sobre o julgamento do governador e seus atos ilegais. Pois bem, a própria notícia demonstra os substitutos daqueles notoriamente suspeitos, e, surpreendam-se, quase todos também, de alguma forma, suspeitos são. Então o leigo questiona: se o titular não pode julgar e se o substituto também não pode, quem decidirá a favor ou contra o governador? E assim entramos no ano novo. Vemos então que a cidade de São Paulo está intransitável e que, atualmente, basta que se inicie uma chuva para que o trânsito pare e ninguém mais consiga chegar a seu destino. Os paulistas já estão traumatizados, e o rio Tietê, de tanto jogarem sujeira nele, resolveu se vingar, alagando a cidade. Daí lembramos de nosso próximo eventual presidente, o qual governa a cidade de São Paulo, e começamos a imaginar: será que terá ele sorte de não chover nos anos em que for presidente, a fim de que o Brasil não fique paralisado? E lá em São Paulo, como também no Paraná, em regiões diversas de Santa Catarina e no interior do Rio Grande do Sul, em todas essas cidades os desmoronamentos aparecem diariamente, trazendo consigo suas vítimas indevidamente enterradas. E dessa forma estamos entrando no ano de 2010... Boas entradas? Feliz ano novo? Ainda há tempo. Vamos pensar que o acontecido foi apenas uma preliminar de um temporal de tragédias que se limpou nos primeiros dias do ano, a fim de que este, daqui para a frente, brilhe para todos como um dos anos mais felizes.
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