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Prevenção da obesidade deve começar na infância - Out/2009

Prevenção da obesidade deve começar na infância 

Por Greicy Pessoa – Foto: Wailer Amorim 

      É preciso ficar atento à propaganda de alimentos infantis e estimular as crianças a ter hábitos saudáveis   As crianças são um público fácil de convencer. Valendo-se dessa máxima, a propaganda infantil aliada a um bom marketing ganha espaços na televisão, revistas, jornais e Internet e mexe com o imaginário da criançada. Produtos são anunciados a todo instante e a ideia de consumo já desperta interesse logo na infância. 

      Agora, quando o assunto é a propaganda de alimentos infantis, a discussão ganha outro tom. Eles são sempre ricos em calorias, como refrigerantes, doces, biscoitos recheados e salgadinhos. As crianças veem, ficam com vontade, pedem para os pais e ficam satisfeitas de terem em casa o alimento que foi anunciado. Segundo pesquisa realizada com crianças entre 6 e 13 anos, 70% delas ficaram com vontade de experimentar os alimentos logo depois de assistirem a propaganda na televisão. 

      Se pararmos para analisar, os anúncios de alimentos enfatizam situações cotidianas de felicidade, prazer e saúde, claro, associadas à presença de crianças. O anunciante conhece bem o público infantil e sabe que esse tipo de entretenimento desperta emoção e promove o consumo. Só que, por outro lado, um grande problema que surge está na desproporção entre o que é anunciado e a verdadeira composição nutricional dos produtos. 

      Estatísticas divulgadas mostram que 15% das crianças no Brasil são obesas e essa condição na infância pode ser fatal, provocando também problemas de coluna e nas articulações, gerando ainda redução da autoestima e rejeição social. Pensando nisso, a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) desenvolve a Campanha Nacional de Combate à Obesidade, com a intenção de mostrar à população os riscos e prevenções da obesidade.  

      Nessa campanha, as atividades são voltadas para a promoção de hábitos mais saudáveis e um trabalho conjunto entre pais e crianças alertando para a importância do acompanhamento especializado, como o de um nutricionista. A publicidade geralmente mascara o teor calórico dos alimentos, mostrando somente o “sabor externo”. É preciso estar atento para os valores voltados para a saúde e evitar, por exemplo, sobrepeso e obesidade.  

      Uma medida eficiente nesses casos seria os pais conversarem com os filhos sobre a influência dos anúncios nos hábitos alimentares. A criança necessita saber a importância de uma dieta saudável e como alimentos gordurosos influenciam de forma negativa nas refeições diárias. Levando em consideração também as noções de consumismo da família, evitando até mesmo futuras comparações com os coleguinhas.  

      Dentro desse contexto, ações devem se estender nas escolas ou pelo menos uma tentativa de levar o conhecimento adquirido em casa para lá. Não funciona muito ensinar para a criança que se deve privilegiar alimentos saudáveis e elas chegam na escola e se deparam com alimentos ricos em calorias. Tem que existir uma linha de entendimento junto às crianças, para que elas tenham noção do que é certo ou errado, o que é bom ou ruim na alimentação.  

      Para o leitor ter uma ideia, é em torno dos dois anos de idade que se define o número de células gordurosas de uma pessoa adulta. Uma criança com excesso de peso possui maior número de células gordurosas que uma criança com peso normal e, na fase adulta, aquele que tiver um número maior de células gordurosas terá maior dificuldade em se manter magro, pois essas células, por serem numerosas, deverão conter pouca gordura dentro delas. Já aquele que tiver um número menor de células gordurosas, mesmo que em alguma época da vida engorde, não será um indivíduo obeso, pois possui poucas células que armazenam gordura.  

      A nutricionista esportiva Renata Metzler recomenda que a alimentação da família seja rica de itens mais naturais como frutas, verduras e grãos integrais e evitar a frequência de alimentos processados como refrigerantes, biscoitos doces, recheados, cachorro-quente, frituras, hambúrgueres, doces e guloseimas. “Estudos comprovam que crianças obesas têm maior chance de se tornarem adultos obesos”, completa.  

      Pois bem, não é interessante incentivar a tendência de engordar logo cedo e seguir uma nutrição irregular. A obesidade não é título de anúncio e nem segue moda do consumismo. Atenção, criançada, a onda é seguir uma alimentação saudável e os pais, principalmente, não podem se esquecer disso.

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